O passageiro que passa quase três dias num ônibus da Gontijo, no percurso Salvador/Assunção, não pode imaginar o trabalho que é desenvolvido para garantir o abastecimento e as condições para que aquele carro chegue a seu destino sem qualquer problema mecânico.
Por trás daquela viagem, existe uma indústria que realiza a manutenção da frota. É uma indústria que emprega 750 pessoas, consome 43,2 milhões de litros de óleo diesel por ano - o suficiente para encher 2.880 caminhões tanque de 15.000 litros -, gasta oito mil pneus, 27,6 mil lonas de freio e 7.200 filtros de óleo,também no período de um ano.
A função primordial dessa indústria é garantir a segurança e conforto dos passageiros, o que só é obtido com a manutenção adequada dos veículos.
A sua principal unidade é o Centro de Manutenção, que fica no Parque Rodoviário Gontijo, em Belo Horizonte, numa área de 100 mil metros quadrados, com capacidade para 1.800 ônibus, e onde é realizado 70% de todo o serviço de manutenção da empresa.
Além da questão da segurança, a manutenção assume importância crucial para uma empresa de transporte de passageiros do por te da Gontijo, já que a maior parte de seus custos estão nessa área, e de seu bom desempenho depende a produtividade e lucratividade do negócio.
O Centro de Manutenção da Gontijo capacita a empresa a executar, com recursos próprios, mais de 95% de todas as atividades de manutenção. A empresa possui uma retífica própria e uma recauchutadora de pneus, com capacidade para atender todas as necessidades da empresa, reformando uma média de 600 pneus por mês.
Executa, também com equipamentos próprios, a recuperação de radiadores, bombas injetoras e turbinas, além de outros itens. O Centro de Manutenção de Belo Horizonte faz mais de 9 mil revisões mensalmente.
Ele possui 30 valas para as atividades de manutenção corretiva e outros 36 boxes para a manutenção preventiva e reforma de ônibus.
Além do Centro de Manutenção, a Gontijo dispõe de 56 garagens no país, com pessoal e equipamentos para facilitar a manutenção, solucionar problemas simples e, até mesmo, trabalhos complexos, embora estes últimos sejam, quase sempre, feitos em Belo Horizonte.
PASSO A PASSO
O controle da qualidade da manutenção na Gontijo começa antes mesmo do ônibus ser comprado. A empresa solicita de seus fomecedores de veículos a troca de alguns itens, a inclusão e modificação de outros, para garantir um padrão de qualidade ainda mais apurado.
Incorporando-se à frota, após cada viagem, por menor que seja, o veículo passa por um check-up. Esse trabalho começa logo que o carro cruza a portaria de entrada, onde está instalado um lavador automático e pelo qual passam todos os ônibus.
Ao chegar, o motorista é entrevistado por um funcionário da área de manutenção, que anota num relatório qualquer tipo de problema eventualmente verificado no veículo, de um barulho estranho no motor a um estofamento furado. O serviço de entrevistas funciona nas 24 horas do dia.
São três os tipos de manutenção por que passam os veículos: corretiva, preventiva e industrial.
Na manutenção corretiva são verificados, obrigatoriamente, o bom funcionamento de 83 itens, além daqueles apontados pelo motorista em sua entrevista, e feitas quaisquer correções eventualmente necessárias.
Esse trabalho, que é feito em todas as garagens da Gontijo, dura, em média, 2 horas, e é efetuado após todas as viagens realizadas.
O Parque Rodoviário Gontijo, em Belo Horizonte, tem uma área especialmente dedicada à "manutenção industrial". Esse trabalho de reformas nos veículos (lanternagem, pintura, retífica de motores, etc...) exige a retirada do ônibus de circulação por alguns dias.
MANUTENÇÃO PREVENTIVA
Mas é a manutenção preventiva que está cada vez mais intensa na Gontijo. A meta sempre buscada é a de que o veículo não apresente qualquer problema na estrada. Que sejam todos resolvidos antes da partida do ônibus.
A manutenção preventiva dos veículos segue uma programação baseada, principalmente, na quilometragem dos carros. Peças são trocadas e itens diversos são testados em quilometragens específicas, mesmo que os componentes, após desmontados, estejam aparentemente novos. Todo o serviço é feito de acordo com as recomendações dos fabricantes e a experiência adquirida pela área de manutenção da empresa.
Para fazer esse controle, é realizado um detalhado levantamento estatístico da utilização e manutenção dos veículos. Dezenas de funcionários da área de manutenção se empenham em realizar um verdadeiro "raio-x" de toda a história do veículo. Os relatórios indicam o funcionamento de todas as peças e todas as trocas efetuadas, mesmo que seja um parafuso, acompanhando assim todo o desempenho do carro. A análise desses números é fundamental para que a empresa avalie o índice de aproveitamento e a produtividade de sua frota, e para que identifique os pontos fracos.
Através desse trabalho, e atuando em parceria com os fabricantes de ônibus, a Gontijo dá importantes subsídios para o aperFeiçoamento dessa indústria no Brasil, já que verifica na prática o funcionamento de todos os componentes dos carros. Os levantamentos feitos pela Gontijo são valiosas colaborações para que os fabricantes adaptem seus produtos à realidade e necessidade do setor de transporte de passageiros no Brasil.
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